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Os capítulos finais de A Saga Crepúsculo, Amanhecer – Parte 1 (2011) e Amanhecer – Parte 2 (2012), voltaram aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13) para coroar 20 anos de sucesso da franquia. Mas, de acordo com Catherine Hardwicke, diretora do primeiro Crepúsculo (2008), a produção só virou um fenômeno porque a distribuidora Summit Entertainment esperava que a adaptação seria um fracasso.

“Ninguém imaginava que Crepúsculo seria o sucesso que se tornou. Quando eu pedi mais dinheiro, eles negaram e disseram: ‘Esse filme não vai faturar nada. Só umas 300 mulheres de Salt Lake City [capital do Utah conhecida por seu um reduto mórmon nos Estados Unidos] vão assistir isso'”, discursou.

“Eu consegui trabalhar com mais liberdade no filme justamente porque eles não esperavam nada dele. Foi como fazer um filme independente, sem tantas interferências do estúdio no meu processo”, lembrou Catherine em uma discussão sobre o sucesso duradouro de Crepúsculo na San Diego Comic-Con, da qual o Notícias da TV participou no fim de julho.

A cineasta, que tinha conquistado a crítica ao dirigir o filme Aos Treze (2003), indicado ao Oscar e a dois Globos de Ouro, contou ainda que só foi aprovada para Crepúsculo porque ele era visto como um projeto pequeno. “Eles só contrataram uma mulher para dirigir porque achavam que seria um fracasso. Se soubessem o que viria, teriam chamado um homem”, alfinetou.

Não por acaso, depois de o primeiro capítulo da franquia faturar US$ 392 milhões (mais de R$ 2 bilhões, na cotação atual) na bilheteria mundial, Catherine foi substituída por três homens: Chris Weitz comandou Lua Nova (2009), David Slade ficou responsável por Eclipse (2010), e Bill Condon dirigiu as duas partes de Amanhecer.

Sem papas na língua, a diretora admitiu que os executivos de Hollywood não entendiam o apelo dos livros de Crepúsculo –em uma época que adaptações do gênero YA (jovem adulto) para o cinema não eram tão comuns quanto hoje. Tanto que o público quase viu um filme bem diferente de tudo.

“A versão original do roteiro mostrava Bella [Kristen Stewart] como uma atleta no colégio, uma corredora bem-sucedida. No final, tinha uma perseguição do FBI aos vampiros na água, em cima de jet skis. Era uma coisa bem diferente. Eles queriam mais ação, eu queria que fosse sobre o primeiro amor”, lembrou.

Até Ashley Greene, intérprete da vampira Alice Cullen, “irmã” de Edward (Robert Pattinson), se chocou com a informação da cineasta. “Mas o público se identifica com Bella justamente porque ela nunca é escolhida!”, reclamou. “Pois é, mas os executivos não entendiam isso”, rebateu Catherine.

Ashley, aliás, não sabia no que estava se metendo quando fez o teste para o filme. “As informações sobre a personagem diziam apenas: ‘Garota de 18 anos’. Quando descobri que era Crepúsculo, fui à livraria, comprei o livro e me apaixonei. É sobre vampiros, mas no fundo você vê a humanidade deles. Eles têm qualidades e defeitos, algo com o qual você se conecta facilmente.”

Já Peter Facinelli, intérprete do patriarca Carlisle Cullen, quase ficou de fora da saga. “Meu agente perguntou se eu queria fazer um filme de vampiros, falei ‘não’ na mesma hora (risos). Aí, ele disse que Catherine seria a diretora, e eu gostava do trabalho dela, então pensei melhor. Ainda não existia um roteiro, mas tinha o livro para me basear”, lembrou ele.

“Era uma história tão bonita, os Cullen não tinham restrições, eram uma família que se escolheu. Gostei do amor e do apoio que tinham um pelo outro. Era diferente do que eu achava que vampiros seriam, não eram como Béla Lugosi [1882-1956, ator húngaro conhecido por viver Drácula e outros monstros a partir da década de 1930]. Com Catherine na direção, foi fácil me juntar”, disse.

Fonte: Notícias da TV

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