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Depois de muitas dores misteriosas e visitas a médicos com respostas inconclusivas, Elisa (Isabela Garcia) foi diagnosticada com fibromialgia em Quem Ama Cuida. A doença ainda é pouco discutida, mas a intérprete da mãe de Adriana (Leticia Colin) a conhece muito bem –o drama de sua personagem foi vivenciado na sua própria casa.

“A minha mãe tinha fibromialgia, e ela sofria muito, com muitas dores. E achavam que era uma coisa, achavam que era outra… A pessoa por momentos difíceis, de saúde, de dores absurdas, de altos e baixos. Isso mina o psicológico da pessoa”, declarou a atriz ao Fantástico deste domingo (6).

Isabela, inclusive, deseja usar a novela para levar mais informação para o público. “Eu me sinto muito privilegiada por estar tratando desse assunto com a minha personagem. Espero que ela venha a trazer luz para esse caso, trazer mais conhecimento sobre como as pessoas devem tratar e lidar com quem têm fibromialgia, e menos ignorância. Espero que possa trazer algum conforto para as pessoas, além de informação”, ela havia dito em junho.

A própria mãe da artista, Dirce Engracia Prieto, não teve as informações que a filha agora quer compartilhar. Ela teve que pesquisar a doença por conta própria, já que, em uma consulta, ouviu do médico que ele e vários outros sequer acreditavam que fibromialgia era algo verdadeiro.

“Tenho muito respeito pelas pessoas que sofrem com todas essas doenças que causam dor. Viver com dor é uma coisa muito triste, muito difícil. Minha mãe falava: ‘Eu só não quero ter dor'”, acrescentou a atriz.

O que é fibromialgia?

A condição não é rara: a fibromialgia afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, o que representa aproximadamente 7 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.

“Não existe exame de sangue, raio-x ou tomografia que mostre a fibromialgia. Os exames vêm normais, e por isso muita gente ouve que ‘não tem nada’ ou que ‘é coisa da cabeça’ antes de chegar ao diagnóstico certo”, afirmou o reumatologista Henrique Dalmolin, do Hospital Moriah, ao Notícias da TV.

Segundo o especialista, a fibromialgia é uma doença que altera a maneira como o cérebro processa a dor. “O corpo passa a sentir dor com mais intensidade do que deveria, mesmo sem lesão aparente”, explicou.

O principal sintoma é a dor difusa pelo corpo, que persiste por meses. “Junto vêm cansaço constante, sono que não descansa, dificuldade de concentração (o chamado ‘nevoeiro mental’) e sensibilidade ao toque, ao frio e ao barulho. Muitos pacientes também têm ansiedade e depressão”, disse o especialista.

Descobrir a doença costuma ser um dos maiores desafios. “O diagnóstico é clínico. O médico avalia a história do paciente, o tempo e a distribuição da dor, e descarta outras doenças. No SUS [Sistema Único de Saúde], o caminho costuma ser mais demorado, porque a fila até o reumatologista é longa. Mas o diagnóstico não depende de tecnologia cara. Depende de um médico atento que conheça a doença”, completou.

Apesar de não ter cura, a fibromialgia pode ser controlada. “Não ter cura não significa não ter tratamento. O primeiro passo é entender a doença. Saber o que é tira o medo e muda a relação com os sintomas. A partir daí, o tratamento combina exercício físico regular, sono de qualidade, cuidado com a saúde mental e, quando necessário, medicação”, disse Dalmolin.

Ele reforçou que é possível viver bem com a condição. “A maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas e levar uma vida normal, com trabalho, família e lazer”, ressaltou.

O tratamento envolve uma combinação de estratégias. “O exercício físico é o que mais funciona, principalmente atividades leves e progressivas, como caminhada, hidroginástica e musculação. Existem medicamentos que ajudam a regular a dor e o sono. E o acompanhamento psicológico faz diferença, porque estresse e ansiedade pioram as crises”, afirmou.

A doença pode ter componente genético, mas não é exclusivamente hereditária. Situações traumáticas como as vivenciadas por Elisa em Quem Ama Cuida podem ser gatilhos para o desenvolvimento da condição.

“Existe um componente genético. Quem tem parentes próximos com fibromialgia tem mais chance de desenvolver. Mas não é uma doença puramente hereditária. Fatores como estresse, trauma físico ou emocional e infecções podem funcionar como gatilho”, finalizou o especialista.

Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Quem Ama Cuida

Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Quem Ama Cuida é ambientada em São Paulo e conta com direção artística de Amora Mautner. A novela está prevista para ficar no ar até janeiro de 2027. 


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Fonte: Notícias da TV

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