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Os rumores sobre o desfecho de A Nobreza do Amor não trazem boas notícias para a Globo. A novela das seis até esboçou um início promissor, mas naufragou no marasmo ao longo dos meses e caminha para um final morno, correndo o risco de virar mais uma trama esquecível da faixa.

O público terá de esperar um semestre inteiro para ver Alika/Lúcia (Duda Santos) e Jendal (Lázaro Ramos) finalmente cara a cara. Até o embate, mocinha e vilão se perderam em tramas paralelas –como a resistência de Batanga e os golpes de Virgínia (Theresa Fonseca)–, que passaram longe de ter força para justificar a separação dos protagonistas pelo oceano Atlântico.

Para piorar a situação, como o Notícias da TV já havia revelado, Tonho (Ronald Sotto) vai ser o responsável por acabar com o antagonista. Ele arrancará uma adaga mágica do baobá –provando que é descendente de um antigo rei de Batanga– e acabará com o ditador.

Não haveria desfecho mais insosso. Após passar meses na batalha pelo seu reino, mobilizar até um presidente do Brasil e expor as atrocidades de Jendal em Batanga, Alika acabaria reduzida ao clichê da mocinha salva por um bravo guerreiro –que, para piorar, esteve longe de demonstrar tamanha bravura no decorrer da trama. Vale mais o sangue do escolhido do que o suor de quem realmente colocou as mãos na massa?

A novela ainda tropeça na própria mensagem ao dar um salto de um século apenas para coroar a trineta dos protagonistas. É difícil engolir que, após uma revolução marcada pelo sangue e pela busca por liberdade, Batanga continuará sob a rédea de uma família real. O desfecho diminui a força do movimento popular ao trocar a emancipação política por mais um capítulo do poder dinástico.

Esse desfecho ganha ainda mais peso diante de um ano eleitoral, em que os brasileiros estão se mobilizando para escolher quem estará à frente da presidência pelos próximos quatro anos. Os batanguis não poderiam fazer o mesmo? Ou não poderiam se organizar de uma outra maneira, que mostrasse que esse povo lutou tanto pela sua liberdade que jamais aceitaria ser governado se não por si mesmo?

Wakanda para sempre?

O Notícias da TV tinha até elogiado a abordagem ambiental que A Nobreza do Amor havia feito ao abordar a questão das minas de tungstênio. Mas o final pode jogar tudo para o alto. Afinal, se o desfecho for o mesmo que vazou, Batanga vai ser uma versão da Wakanda de Pantera Negra (2018), uma nação africana conhecida justamente pelo seu avanço tecnológico.

Seria uma falta de imaginação tremenda, e não só pela associação com o filme da Marvel. A indústria de tecnologia é uma das mais poluentes, estando profundamente ligada à exploração dos seres humanos e dos recursos naturais –a tal “nuvem” dos nossos celulares começa fincada na terra e é muito mais material do que virtual.

Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.

A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.

A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.


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Fonte: Notícias da TV

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