Amyr Klink deu aval para as mudanças feitas em 100 Dias, filme inspirado na travessia do Atlântico realizada pelo navegador e que estreia nos cinemas em 29 de outubro. O longa, dirigido por Carlos Saldanha, leva para as telas a história da jornada que o brasileiro fez sozinho de barco a remo pelo Atlântico Sul em 1984. Ele fez questão de permitir que a história ganhasse novas interpretações no cinema.
Em exibição exclusiva do filme para jornalistas, Klink contou que teve algumas reuniões com Carlos Saldanha antes das filmagens e decidiu não impor limites à maneira como sua trajetória seria representada. “Eu faço questão de dar total liberdade poética, entre aspas, como todo mundo fala, para interpretar de outras maneiras”, explicou.
O navegador, inclusive, teve suas dúvidas quando descobriu que seria Filipe Bragança o responsável por interpretá-lo. Suas desconfianças começaram quando ele ouviu que o ator havia vivido Sidney Magal nos cinemas.
“Eu falei: ‘O Sidney Magal, um remador’. Não vai dar certo esse negócio…”, contou, relembrando a primeira impressão que teve ao saber da escalação. Ele mudou de opinião depois de assistir a Meu Sangue Ferve por Você (2023).
“Quando eu vi o desempenho do Bragança, eu falei: ‘Esse negócio vai funcionar muito bem’. Eu fiquei muito surpreso”, afirmou Klink. A atuação fez com que o navegador passasse a enxergar com outros olhos a escolha do rapaz para representá-lo na produção.
Amyr Klink também destacou a maneira como Carlos Saldanha conduziu a adaptação de sua história. Segundo ele, o diretor acabou sendo bastante rigoroso na reprodução de determinados detalhes da trajetória, mesmo tendo recebido liberdade para interpretar os acontecimentos de outras maneiras.
“O Saldanha resolveu trancar a porta da liberdade, ele se colocou numa escravidão poética, porque ele foi incrivelmente rigoroso, assim, com detalhes que eu nem lembrava mais”, declarou.
Para ele, esse cuidado com os detalhes e elementos da história contribuiu para o resultado final da produção, que transforma sua experiência no mar em uma narrativa cinematográfica.
Klink também deu detalhes sobre como o período que antecedeu a travessia foi especialmente difícil. Ele contou que sua preparação envolveu dificuldades técnicas, financeiras e intelectuais, além do aprendizado necessário para realizar sozinho uma viagem daquele porte.
“O começo foi muito duro, porque eu era totalmente inexperiente e o barco estava pesado. Aos poucos foi melhorando”, relatou.
O dia anterior à travessia foi considerado por ele como um “dia de cão”, mas o navegador nunca levou isso como um sinal para não realizá-la. Houve desde o esquecimento de uma vacina obrigatória para sua viagem à África até a perda da chave de sua moto em um vaso sanitário dentro do aeroporto. “Realmente, o que antecipou a viagem foi o mais desafiador”, disparou.
No fim, porém, a jornada deu a ele múltiplos recordes mundiais e ainda terminou com um número que acabou dando nome à história levada ao cinema: “Eu tinha calculado 109 dias e, no final, terminei com um número bonito, 100 dias”, finalizou.
Fonte: Notícias da TV


