A viúva do ambulante Leandro Pereira Alfonso, de 46 anos, ingressou com uma ação na Justiça pedindo indenização de R$ 1 milhão contra as empresas responsáveis pela organização do show da banda Guns N’ Roses, realizado em 9 de abril deste ano, em Campo Grande. Leandro morreu após sofrer um mal súbito enquanto trabalhava vendendo água nas imediações do evento.
Na ação, a família atribui a morte do trabalhador a supostas falhas na organização do espetáculo. Entre os principais argumentos está o grande congestionamento registrado na região do evento, que teria ultrapassado 10 quilômetros e dificultado o deslocamento de equipes de emergência. Na ocasião, o trânsito intenso também fez com que diversos fãs chegassem atrasados e perdessem parte da apresentação.
O processo requer o pagamento de R$ 600 mil por danos morais, valor que seria dividido igualmente entre a viúva e os dois filhos do casal. Além disso, a defesa solicita o pagamento de pensão mensal correspondente a dois terços da renda de Leandro, destinada à esposa até que ela complete 75 anos e aos filhos até os 25 anos de idade ou a conclusão do ensino superior.
A ação é movida contra as empresas Santo Show Produções e Eventos e Mercury Concerts Ltda. Segundo a defesa, a estrutura logística do evento teria impedido o acesso do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros ao local onde o ambulante passou mal.

Os advogados também sustentam que houve omissão por parte da organização, alegando que equipes de atendimento disponíveis no evento não prestaram o suporte necessário ao trabalhador. Para a família, as empresas devem ser responsabilizadas por supostas falhas na organização, segurança, infraestrutura e gerenciamento do fluxo de pessoas e veículos, fatores que, segundo a ação, contribuíram para a demora no socorro.
De acordo com a petição, a causa da morte foi registrada como choque cardiogênico associado à hipertensão arterial sistêmica. A defesa argumenta que o quadro poderia ter sido controlado ou revertido caso o atendimento de emergência tivesse ocorrido de forma adequada e dentro do tempo necessário.
A primeira audiência de conciliação foi agendada para o dia 3 de novembro.
A reportagem procurou a Santo Show Produções e Eventos e a Mercury Concerts Ltda. para comentar as alegações apresentadas na ação judicial. Até a publicação desta matéria, não havia recebido resposta. O espaço permanece aberto para manifestação das empresas, e o texto será atualizado caso haja posicionamento.
