O ator Ismael Caneppele revela ter recebido diversos convites para trabalhos internacionais depois de participar de Homem em Chamas, série da Netflix que ficou em primeiro lugar no ranking de mais assistidas da plataforma. No entanto, as tensões causadas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos atravancaram alguns destes projetos.
Apesar de ser uma produção estadunidense, Homem em Chamas foi rodada no México, não apenas como ambientação do enredo, mas por ser um reduto para séries de ação. “No meio das gravações, a gente teve a eleição do Trump, o que acabou dificultando muito a produção cinematográfica norte-americana no México. Algumas coisas que eu já vinha, de certa forma, trabalhando para dar continuidade, parcerias por lá, acabaram não acontecendo”, conta Caneppele em entrevista ao Notícias da TV.
Entre as declarações de Trump que causaram instabilidade na indústria estão a ameaça de uma tarifa de 100% sobre filmes feitos fora dos Estados Unidos, na intenção de conter países que oferecem créditos fiscais e descontos para atrair grandes produções. O presidente impôs a taxa sob a alegação de que “a indústria cinematográfica norte-americana está morrendo rapidamente”.
Diante da resistência em Hollywood e da complicada viabilidade da sanção –e em uma tentativa de aumentar sua popularidade–, Trump defendeu recentemente que o Congresso deveria aprovar incentivos fiscais para a indústria do entretenimento. No Brasil, a ideia rendeu comparações com a Lei Rouanet.
“Estamos em um momento de standby para entender o que vai acontecer com essa indústria lá fora. A indústria de ação, principalmente, grava muito no México, que é esse nicho com que eu tenho mais contato”, explica o ator.
O artista, porém, afasta pressão para dar continuidade ao trabalho internacional. “Fiz alguns testes, estou esperando algumas coisas, mas essa ideia de que algum trabalho vai mudar radicalmente a sua perspectiva eu acho que é um pouco fora da minha realidade, pelo menos. Sigo trabalhando e batalhando pelos meus papéis”, reflete.
Com mais de 40 milhões de visualizações, Homem em Chamas terminou o primeiro semestre como a oitava produção mais vista da Netflix. O sucesso internacional rendeu para Caneppele mensagens em outras línguas e a surpresa de ver influenciadores estadunidenses reagindo a seu trabalho.
Mas o intérprete de Osmar ficou verdadeiramente surpreso com a abordagem de um grupo bem específico de trabalhadores: os porteiros. “Acho que pessoas que trabalham em prédios, em portarias, assistem a muitas séries de ação. Acontecem conversas bem interessantes com esses trabalhadores com quem eu ainda não havia trocado de maneira tão intensa”, inicia.
Eu tinha um trabalho um pouco mais nichado, para o público de arte. A série realmente abriu um público imenso que consome série de ação e que eu não conhecia. Está sendo um barato receber esse feedback.
divulgação/rodrigo lopes
Ismael Caneppele também é roteirista e diretor
Trama bíblica
O artista agora integra o elenco de outra produção que também pode alcançar clamor popular. Trata-se de A Ira do Herdeiro, série épica da Record em parceria com o Disney+.
Com previsão de lançamento para 2027, a trama acompanha o retorno do rei Manassés a Israel anos após a trágica morte de seu pai, o rei Ezequias. Seu reinado em Judá é marcado por disputas políticas, muita perversidade e até uma batalha pessoal contra Deus.
Depois de encarar uma produção norte-americana, Caneppele se diz impressionado com a estrutura da produção nacional. “Nunca vi uma estrutura tão grande assim no Brasil. Estou um pouco impressionado com o tamanho, a grandiosidade dos cenários, dos figurinos, da produção. É uma série que está sendo gravada em tempo de cinema, o que é muito inusitado para o Brasil.”
O ator dá vida ao sacerdote Amarias. Segundo o intérprete, ele é parte da resistência que busca estratégias para salvar os escritos que, futuramente, vão compor parte da Bíblia. “É um personagem que acontece 600 anos antes de Cristo. Então, tem toda uma dimensão que ainda é complicada de entender no corpo”, pontua.
“Enquanto a gente gravava, tinha aulas de história, de caligrafia, de costumes, de como manusear os equipamentos da época. Tem uma consultoria 24 horas para a gente conversar sobre questões históricas e de costumes”, expõe.
Roteirista e diretor, Caneppele tem uma carreira ligada à literatura e ao cinema autoral. Atualmente, encabeça o documentário Arroio de Nós, que vai mostrar mulheres agropecuaristas de Arroio do Meio, no Mato Grosso do Sul. Ele afirma que “tem tido sorte” com os projetos nos quais embarcou nos últimos tempos e gosta da possibilidade de se mostrar ao grande público.
Com participações pontuais em novelas como Terra e Paixão (2023), ele não descarta um folhetim completo. “Acho um tesão, gosto do ritmo da novela. Teria interesse, mas o problema acaba acontecendo com as agendas. Você tem que entrar e ficar muito tempo. Geralmente, tem um filme acontecendo, então, ainda não consegui encontrar esse momento ideal para fazer uma novela sem estar comprometido com as outras coisas que eu faço”, encerra.
Fonte: Notícias da TV
