Polícia investiga contradições na versão apresentada inicialmente pela família; recém-nascida, de apenas 28 dias, ainda não foi localizada

O desaparecimento de uma recém-nascida de apenas 28 dias, registrado na madrugada desta sexta-feira (7), em Campo Grande, ganhou uma nova linha de investigação. A Polícia Civil apura a possibilidade de que a criança não tenha sido sequestrada, como relatado inicialmente pela família, mas entregue para quitar uma suposta dívida do pai, que seria integrante de uma facção criminosa.

O caso veio à tona durante a manhã, quando familiares comunicaram o desaparecimento da bebê e relataram que a mãe, uma adolescente de 17 anos, teria sido dopada e mantida em cárcere após ir até a residência de uma mulher que havia se oferecido para lhe dar trabalho.

Segundo o relato inicial, a adolescente teria conhecido a suspeita por meio de um grupo de doações, ainda durante a gravidez. A mulher teria oferecido roupas, um carrinho de bebê e até mesmo um ensaio fotográfico para a criança.

“Ela conheceu essa moça por um grupo de doação, quando estava na reta final da gravidez, e, por volta de oito para nove meses de gestação, essa moça falava que ia doar roupa para ela, dar carrinho e um book de fotos. Aí ela aceitou”, contou uma familiar.

Ainda conforme o relato, a suspeita já havia comparecido à residência da adolescente para entregar roupas para a bebê. Na tarde de quinta-feira (6), teria feito um novo convite: pediu que a jovem fosse até sua casa para cuidar de uma criança de seis meses e ofereceu R$ 100 pelo serviço.

A adolescente teria ido ao endereço acompanhada da irmã, de 13 anos, em um carro de aplicativo cuja corrida teria sido paga pela própria suspeita. A recém-nascida também foi levada ao local.

Ao chegar, a adolescente teria pedido um copo de água. Nesse momento, segundo a versão apresentada à polícia, a suspeita levou a irmã de 13 anos para os fundos do imóvel. Pouco depois, um homem que já estaria na residência teria surgido e pressionado um pano contra o rosto da adolescente, fazendo com que ela perdesse a consciência.

A jovem teria sido posteriormente trancada em um banheiro e amarrada. A irmã, por sua vez, teria ficado presa em um quarto junto com a recém-nascida.

As duas adolescentes permaneceram no imóvel até a madrugada, quando teriam sido libertadas pelos suspeitos. Segundo o relato, elas foram deixadas nas proximidades de uma área de mata na Avenida Guaicurus, região da UPA Universitário, enquanto a bebê permaneceu no local.

Nova versão é investigada

Durante o andamento das investigações, porém, a versão do suposto sequestro teria apresentado contradições. Conforme informações apuradas pela polícia, a mãe e a tia da criança teriam admitido que a recém-nascida não teria sido sequestrada, mas entregue a uma mulher como forma de pagamento de uma suposta dívida relacionada ao pai da bebê, que seria integrante de uma facção criminosa.

A nova versão passou a ser considerada pelos investigadores, que buscam esclarecer as circunstâncias do desaparecimento e identificar todos os envolvidos.

Equipes policiais continuam realizando buscas para localizar a recém-nascida. Até o momento, a criança não foi encontrada.

A Polícia Civil também trabalha para confirmar qual das versões corresponde aos fatos e esclarecer a possível participação de outras pessoas no caso.

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