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Principal estreia da semana nos cinemas, Street Fighter é uma obra feita sob medida para os fãs da franquia homônima. Há dezenas de homenagens aos jogos, dos figurinos aos golpes dos lutadores, passando por personagens obscuros e referências escondidas. Até há um fiapo de história para manter a trama em movimento, mas o filme funciona de verdade quando abraça a galhofa.

Afinal, como levar a sério uma produção que tem entre seus personagens um homem de pele verde que dá choques porque foi criado no meio de enguias? Ou um mestre de ioga que consegue alongar seus braços e pernas como se fosse o líder do Quarteto Fantástico? O jeito é aceitar os exageros cartunescos dos games e se divertir sempre que possível.

Ao contrário do infame longa de 1994, que colocou Guile (vivido por Jean-Claude Van Damme) como protagonista, a nova adaptação acerta em cheio ao focar em Ken (Noah Centineo) e Ryu (Andrew Koji), astros da franquia desde o quase esquecido primeiro jogo, lançado em 1987.

A relação dos dois, criados como irmãos por Gouken (Don Lee), mas que tomaram caminhos distintos após uma tragédia pessoal, cria um conflito forte o suficiente para conduzir a trama, mas com uma dinâmica de provocação fraternal que também quebra a tensão nos momentos mais dramáticos.

Campeão do primeiro torneio mundial, disputado em 1987, Ryu decide largar as lutas e sumir no mundo depois de entender que carrega uma energia sombria e perigosa dentro de si. Sem o melhor amigo, Ken se torna um playboy mulherengo e festeiro, que se preocupa mais com os gomos de seu tanquinho do que com os ensinamentos de Gouken.

Os caminhos dos dois “irmãos” voltam a se cruzar seis anos depois, quando Chun-Li (Callina Liang) os convoca para a segunda edição do torneio mundial, agora promovido por M. Bison (David Dastmalchian, absolutamente tresloucado na pele do personagem). 

As lutas servem como uma passarela para os personagens dos games darem as caras, mas também como pano de fundo para uma tentativa do vilão de roubar a energia dos combatentes e depois usá-la para se tornar o homem mais poderoso do mundo.

Ryu, Ken e Chun-Li, claro, tentam impedir o antagonista de alcançar seus objetivos, e nomes como Cammy (Mel Jarnson), Guile (Cody Rhodes), Vega (Orville Peck), Dhalsim (Vidyut Jammwal), Blanka (Jason Momoa) e Akuma (Roman Reigns) surgem ao longo da jornada, como obstáculos ou auxiliares.

Com muita nostalgia, aproveitando tanto os games quanto a estética dos anos 1990, o longa consegue divertir e até a emocionar –embora ele não se permita recorrer ao drama sem uma nova piada na sequência para levantar o astral rapidamente. Tem tudo para agradar aos fãs e apagar o gosto amargo deixado pelas adaptações anteriores da franquia, mas deve passar batido por quem nunca soltou um hadouken ou fez um spinning bird kick nos consoles.

Dirigido por Kitai Sakurai (da comédia Bad Trip), Street Fighter estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15). Confira o trailer da adaptação:

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Fonte: Notícias da TV

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