A equipe da série documental sobre Marília Mendonça (1995-2021), Sentimento Louco, dispensou a inteligência artificial para filtrar o acervo volumoso que compõe o projeto. Foram mais de 500 mil arquivos, entre fotos, vídeos, gravações de áudios e notas de celular, que ajudaram a contar a trajetória da cantora sertaneja. A produção chega ao Prime Video nesta sexta-feira (16).
“O acervo, de fato, era muito grande. Tinham vários arquivos em vários aparelhos. Tecnicamente, é bem difícil fazer esse processo da forma que a gente fez. Foram meses e meses de catalogar, separar, entender. Não dá para acelerar, não tem IA possível, você tinha que abrir e escutar”, descreveu o produtor executivo Rodrigo Olaio em entrevista ao Notícias da TV durante o lançamento do documentário.
A curadoria ficou por conta de uma equipe de pesquisa, “grande e humana”, reforçou Olaio. “O time separava esses materiais e conversava com a equipe de roteiro. Não teve atalho, foi escutando tudo”, completou.
O produtor pontuou que os arquivos mostram Marília na intimidade de maneira inédita e curiosa, mas não necessariamente surpreendente. Para ele, a cantora sempre foi muito honesta na comunicação com o público.
“A gente esperava encontrar coisas da Marília que pudessem revelar mais sobre ela. A gente tem muitas coisas no documentário que a gente e o público não conheciam, mas a essência da Marília se manteve completamente. Ela era muito transparente, isso ficou muito claro para a gente. Ela não se mostrava uma mulher perfeita. E foi isso que a gente encontrou quando foi buscar nos materiais, mas em uma potência muito maior”, avaliou.
A família de Marília foi parceira ao dividir o acervo, mas, segundo a diretora Susanna Lira, não interferiu no resultado final. “Eles deixaram a gente bem livres para fazer o que a gente achava que teria que ser feito para honrar a memória da Marília. Isso foi muito importante”, citou.
Entre os conteúdos encontrados que ajudaram a definir a personalidade de Marília, Olaio mencionou áudios em que ela desabafava quando alguém tenta impedi-la de fazer algo. “Ela não acreditava quando alguém dizia que ela não podia, que não era o perfil. Ela chutava a porta, nem que demorasse tempo. Às vezes, demorava, mas ela não desistia. Acho que isso era maravilhoso.”
A produtora Roberta Oliveira, que também encabeçou a equipe de curadoria do material, ressaltou como os arquivos revelam o empoderamento de Marília. “Mesmo muito nova, ela tinha um empoderamento que acho que nem ela sabia que se chamava isso. Isso era a grande força dela como mulher, como artista. Ela acreditava muito nela”, elogiou.
Fonte: Notícias da TV
